Música no Yoga e no Acroyoga: como o som pode transformar a prática
- Susan Galz
- 25 de ago.
- 5 min de leitura
Você já percebeu como uma mesma sequência de Yoga pode parecer completamente diferente dependendo da música que está tocando?

Uma melodia tranquila pode convidar a permanecer um pouco mais em uma postura. Uma batida crescente pode trazer energia para uma sequência mais intensa. No Acroyoga, uma música com o ritmo certo pode ajudar o movimento a ganhar continuidade — quase como se uma transição chamasse a próxima.
E há também aqueles momentos em que a música vai desaparecendo, o corpo desacelera e o silêncio volta a ocupar espaço.
No Casulo, gostamos de pensar na música não apenas como fundo para a prática, mas como parte da experiência.
Essa proximidade com a música não nasceu apenas dentro do estúdio. Susan e Nicko gostam de frequentar shows e viver a experiência da música ao vivo, percebendo como diferentes ritmos, intensidades e atmosferas modificam aquilo que sentimos.
Além de professora de Yoga e Acroyoga, Susan também toca violão como hobby. Quem convive com a música aprende, pouco a pouco, a perceber o valor do ritmo, das mudanças de energia e também das pausas — elementos que fazem parte da maneira como conduzimos uma prática.
Por isso, Susan e Nicko organizam diferentes playlists para acompanhar momentos distintos das aulas de Yoga e Acroyoga. Agora, decidimos deixá-las disponíveis gratuitamente para quem quiser experimentar essa relação entre música, movimento e presença também em sua própria prática.
O que a música muda durante uma prática?
A música mexe conosco antes mesmo de pensarmos sobre ela.
Ritmo, intensidade, repetição, melodia e até as pausas podem mudar a atmosfera de um ambiente e a maneira como percebemos uma experiência.
Uma música mais suave pode favorecer a sensação de tranquilidade. Uma batida marcada pode trazer energia e ajudar a sustentar uma sequência de movimentos. Em outros momentos, a música pode simplesmente criar uma paisagem sonora que ajuda a diminuir as distrações externas.
Esses efeitos, porém, não são iguais para todas as pessoas. Dependem da música escolhida, do momento, do contexto e da atividade realizada. Na prática, talvez seja justamente aí que esteja o mais interessante.
Não existe uma “música perfeita para Yoga” ou uma fórmula musical que funcione para todas as pessoas. Existe escuta.
No Yoga, a música pode acompanhar o caminho da prática
Uma aula de Yoga raramente tem uma única energia do início ao fim.
Podemos começar chegando ao corpo e observando a respiração. Depois, aos poucos, despertar movimentos maiores. Em determinado momento, a prática pode ganhar intensidade. Mais tarde, desaceleramos novamente até chegar ao relaxamento.

A música pode acompanhar essa curva.
Em uma prática leve, sons mais espaçosos podem ajudar a criar uma atmosfera de tranquilidade e continuidade.
Em uma prática mais forte, músicas com mais pulso podem conversar com sequências dinâmicas e sustentar a energia do movimento.
Durante pranayamas, uma escolha mais sutil evita competir com aquilo que realmente queremos perceber: a respiração.
E no Savasana? Talvez esse seja justamente o momento em que menos é mais.
A música pode criar uma paisagem delicada para o relaxamento — mas sem exigir atenção.
A ideia não é dizer ao corpo o que ele deve sentir. É criar condições para que cada pessoa possa perceber o que está acontecendo ali.
E no Acroyoga? Quando o ritmo encontra a parceria
Na prática de Acroyoga existe uma camada a mais: não estamos nos movimentando sozinhos.
Há outra pessoa respirando, transferindo peso, oferecendo apoio, procurando equilíbrio e respondendo aos nossos movimentos.
Por isso, ritmo e escuta ganham outro significado.
Essa relação do Acroyoga com a música e a dança não aparece por acaso na forma como praticamos no Casulo.
Susan e Nicko tiveram como professores Jessie Goldberg e Eugene Poku, fundadores do AcroYoga Montreal e referências importantes em sua formação.

Antes de ensinarem Acroyoga, Jessie e Eugene trabalharam durante mais de duas décadas como uma dupla de dança profissional chamada Special Blend. Em suas apresentações, misturavam diferentes estilos de dança com acrobacias, equilíbrios em parceria, artes marciais e elementos teatrais.
No final da década de 1990, o Yoga também passou a fazer parte dessa pesquisa de movimento. Posturas e equilíbrios acrobáticos foram sendo incorporados às danças até que essa combinação ganhou identidade própria. Jessie e Eugene utilizaram o termo “AcroYoga” em 1999 para descrever a união entre dança, acrobacia e Yoga que estavam desenvolvendo.
Essa trajetória deu origem ao AcroYoga Montreal, uma das linhagens que ajudaram a formar o universo contemporâneo do Acroyoga. A própria história oficial do AcroYoga Montreal mostra como a modalidade nasceu, nessa escola, a partir da dança e da busca por movimentos realizados com presença, equilíbrio e conexão.
Quando as posições formam uma frase de movimento
Em um Acroflow, por exemplo, não basta conhecer uma sequência de posições. O interessante é encontrar continuidade entre elas.
Entrar. Sustentar. Transferir. Girar. Receber. Sair.
Quando existe conexão entre as pessoas, as transições deixam de parecer peças separadas e começam a formar uma frase de movimento.
A música pode entrar nessa brincadeira como uma referência compartilhada de ritmo.
Não para obrigar a dupla a seguir uma batida, mas para oferecer uma espécie de paisagem comum onde o flow acontece.
Às vezes seguimos o ritmo. Às vezes brincamos contra ele. Às vezes simplesmente esquecemos que existe música tocando — e percebemos que os movimentos encontraram o próprio compasso.
Música não precisa preencher todos os espaços

Também gostamos do silêncio.
Isso é importante.
Usar música conscientemente não significa precisar dela o tempo inteiro.
Há práticas em que ouvir a própria respiração, o contato das mãos com o chão, uma orientação do professor ou a respiração do parceiro é muito mais interessante do que qualquer playlist.
A música é uma ferramenta, não uma regra.
E talvez uma boa trilha seja justamente aquela que sabe ocupar seu espaço sem tomar conta da experiência.
As playlists do Casulo para praticar Yoga e Acroyoga
Ao longo das práticas, Susan e Nicko foram organizando músicas para diferentes momentos e diferentes qualidades de movimento.
Em vez de colocar tudo em uma única seleção, as playlists do Casulo foram separadas de acordo com a intenção da prática.

Para momentos em que a atenção se aproxima da respiração, da presença e da percepção interna. Uma trilha para chegar.
Para práticas mais suaves, mobilidade, movimentos conscientes e aqueles dias em que o corpo pede menos intensidade e mais espaço.
Para sequências mais vigorosas, práticas dinâmicas e momentos em que queremos construir calor e energia.
Uma seleção pensada para explorar continuidade, ritmo, criatividade e movimento compartilhado. Coloque para tocar, encontre uma parceria e experimente deixar as transições conversarem com a música.
Para o momento de diminuir. Depois do movimento, repousar. Depois do esforço, perceber. Depois de fazer, simplesmente estar.
Experimente praticar com música — e também sem ela
Nossa sugestão é simples: experimente.
Escolha uma das playlists de acordo com o momento que você quer criar e observe o que acontece.
Como seu corpo responde?
Você percebe diferença no ritmo dos movimentos?
A música ajuda a manter a atenção ou tira sua concentração?
No Acroyoga, vocês começam a se movimentar de outra maneira quando encontram uma música que combina com o flow?
E depois faça o contrário.
Pratique em silêncio.
Porque parte da prática também está em descobrir aquilo que funciona para você — e isso pode mudar
de um dia para outro.
Dê o play e pratique com a gente
As playlists Casulo Acroyoga | Pranayamas, Yoga relax, Yoga forte, Acroflow e Savasana, organizadas pelos professores Susan e Nicko, estão disponíveis gratuitamente para quem quiser ouvir, praticar e experimentar no Spotify.
Escolha a que combina com o seu momento, dê o play e veja como a música conversa com a sua prática.
E, quem sabe, uma música que acompanha nossas aulas no Casulo também passe a fazer parte de algum momento especial da sua prática por aí.
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